quinta-feira, 6 de maio de 2021

Esquizofrenia: aprendendo para ajudar

 


O que é ? 

   O nome esquizofrenia vem do grego arcaico de esquizo “dividir” e frenia “mente” ou mente dividida.

   A esquizofrenia é uma doença mental complexa que reflete alterações no funcionamento cerebral. Embora as causas não sejam conhecidas, sabe-se que, além da genética, outros fatores, nomeadamente ambientais, têm sido implicados na sua etiopatogénese e, apesar de não haver ainda consenso sobre esta matéria, parece tratar-se de uma doença do neurodesenvolvimento, presente desde o nascimento, mas com manifestações tardias.

  Estas surgem, geralmente, na adolescência ou no início da idade adulta (entre os 15 e os 25 anos), podendo contudo manifestar-se mais tarde, após os 40 anos. Estima-se que atinja cerca de 1% da população mundial.

  A esquizofrenia pode ser altamente incapacitante. Se não for precocemente detetada e tratada, pode afetar de modo significativo a vida emocional, familiar, social, escolar e laboral do indivíduo.

 

Sintomas.

 É na adolescência (ou pouco após esta) que geralmente aparecem os primeiros sinais de esquizofrenia. Os sintomas são, contudo, muitas vezes confundidos com comportamentos habituais da idade, o que faz com que a doença nem sempre seja diagnosticada de forma atempada. Alguns dos sintomas iniciais de esquizofrenia incluem:

  • Isolamento social
  • Irritabilidade
  • Paranoia
  • Tristeza constante ou depressão
  • Apatia
  • Perda de memória
  • Dificuldade de concentração 
  • Delírios
  • Alucinações

A esquizofrenia pode manifestar-se através de um conjunto de sintomas que envolvem alterações do pensamento, da perceção, do comportamento e do afeto. O discurso pode tornar-se repetitivo, incoerente ou incompreensível. A perceção sensorial pode estar alterada, ocorrendo, por exemplo, alucinações auditivas ou visuais A resposta emocional pode estar diminuída e a distinção entre realidade e fantasia pode estar comprometida.

 

Mito ou Verdade?

  É possível identificar sinais que podem indicar o surgimento da esquizofrenia?

 Sim. Em geral, 80% das esquizofrenias começam por um certo alheamento em relação às circunstâncias que rodeiam o paciente. São sintomas que ocorrem mais no íntimo dos indivíduos e causam menos impacto nos outros – isolamento, olhar perdido, indiferença. É uma fase caracterizada por muita tensão e ansiedade. A pessoa sente que algo está acontecendo, mas não sabe dizer o que é. O quadro de alucinações e de delírios, que chama mais atenção, surge mais tarde.

O consumo de drogas pode estar associado ao surgimento da doença?

Sim. Sabe-se que alguns agentes são gatilhos importantes para o início das alterações cerebrais e para o posterior aparecimento dos sintomas da doença. O uso de drogas e o tabagismo estão entre esses fatores de risco.

Pessoas com o transtorno perdem a capacidade de ter emoções?

Não. Os pacientes com esquizofrenia seguramente sentem, mas têm dificuldades de expressar seus sentimentos. Por isso as pessoas tendem a interpretar que eles não possuem mais a capacidade de ter emoções. No seu íntimo, no entanto, sofrem, com essa limitação.

O interesse por temas exóticos é uma característica da doença?

Sim. Alguns pacientes com o transtorno podem apresentar interesse por temas exóticos, místicos e religiosos, assim como qualquer outra pessoa. A diferença, neste caso, é que o assunto passa a dominar o dia a dia do paciente. A ocorrência de dúvidas sobre sua existência também é comum no início dos sintomas.

Pacientes com esquizofrenia são desatentos e têm dificuldades de memória?

Sim. As pessoas com tendência de desenvolver a enfermidade podem apresentar problemas de concentração, memória e de aprendizado, que levam a uma diminuição da capacidade de raciocínio lógico. Apresentam tambem sintomas de ansiedade, como palpitações, taquicardia, falta de ar e inquietação. Por esse motivo, muitas vezes a esquizofrenia é confundida inicialmente com depressão ou outras desordens como pânico e transtorno obsessivo-compulsivo.

Mudanças na aparência e nos cuidados com a higiene são comuns na esquizofrenia?

Sim. É possível que eles apresentem uma negligência na higiene básica por apresentar um quadro de desmotivação, passando a vestir roupas inapropriadas ou sujas. Além disso, o paciente também descuida da alimentação.

A violência é um comportamento constante do transtorno?

Não. Pessoas com esquizofrenia podem ter momentos de agressividade, quando em crise, mas em 93% dos casos não são violentas. O que ocorre mais frequententemente é que pacientes com esquizofrenia, principalmente aqueles que vivem como habitantes das ruas, sejam vítimas da violência urbana.

A esquizofrenia é uma condição de difícil tratamento?

Não. Nas últimas décadas, houve grande avanço no tratamento da esquizofrenia. A medicação é a base da terapia. Ela tanto controla a crise na fase aguda da doença, como ajuda a prevenir recaídas, com o uso de medição por um longo prazo. Apesar de essa necessidade de tratamento prolongado ser bem reconhecida pelo médico, frequentemente, não é sempre bem aceita pelos pacientes, que acabam interrompendo a medicação, já que se sentem bem e não veem motivo para continuar tomando o remédio. Em alguns casos, a introdução das terapias de ação prolongada, de uso injetável, é uma alternativa para possibilitar maior adesão ao tratamento desse perfil de paciente, pois a aplicação pode ter um espaço de semanas.

Finalização

  A esquizofrenia é uma doença que afeta cerca de 4 milhões de pessoas no mundo, e uma doença que precisa ser muito estudada ainda, a cada ano descobrimos novas coisas como tratamentos os sintomas menos comuns, mas o que não podemos esquecer que é uma doença perigosa e precisamos ficar atentos, mesmo que os pacientes não sejam violentos, sem o tratamento correto eles podem entrar em crise e  se machucarem ou machucar as pessoas ao seu redor, então lembrem: o melhor remédio e o tratamento precoce.


Organizado por Pedro M. Pultrini

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