O artigo 5 º da constituição brasileira garante que todos somos iguais perante a lei, e o artigo 6º diz que todos temos direito à educação. No livro de Gilberto Dimenstein, “Cidadão de papel”, ele cita diversos direitos que são garantidos por lei, mas na realidade, não são obedecidos. O autista no Brasil sofre diversos preconceitos. Na escola, a inclusão do mesmo é praticamente inválida, uma vez que existem muitos professores que não são capacitados e treinados para ensinar de forma inclusiva um aluno com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Diante disso, é necessário a atuação do Ministério da Educação para mudanças nesse panorama.
A priori, a sociedade brasileira
não foi formada sobre o pilar da ética pautada na alteridade, o que faz com que
coletivos marginalizados, como autistas, tenham dificuldade de se inserir nas
escolas e viverem em sociedade sem sofrerem preconceitos. Esse ideal de
alteridade, proposto pelo sociólogo francês Levinas, vem de encontro com a
postura cultural do brasileiro que é de não se colocar no lugar dos outros
indivíduos. Muitas pessoas veem os autistas como incapazes de aprender, ler,
escrever e até mesmo de frequentar as escolas, indo contra o ideal de alteridade
e agindo com preconceito com as pessoas que possuem TEA.
Como consequência da cultura não
empática dos brasileiros, o sistema educacional se faz exclusor e é, ainda, um
dos mantenedores das desigualdades sociais. As desigualdades sociais se dão em
vários aspectos, como por exemplo a incapacitação de professores que não sabem
como adaptar uma aula para autistas, o que compromete o direito de total
aprendizagem ao aluno deficiente. Sendo assim, a lei que garante educação a
todos, não é colocada em prática.
Portanto, é crucial a intervenção
do estado em parceria com o Ministério da Educação, exigindo e dando suporte
aos professores para realizarem uma pós-graduação e assim, tornarem-se
especialistas no ensino para deficientes, e estes, terão mais qualidade de
ensino escolar. Para que a inclusão na sociedade e nas escolas seja de uma
maneira pautada na ética da alteridade, os poderes do estado e do ministério da
educação deveriam, por meio de uma ampla divulgação midiática, financiar
desenhos animados com personagens autistas, para as crianças. Já para os jovens
e adultos, poderia implantar propagandas televisivas sobre o que é o autismo,
assim incluindo-os e diminuindo o preconceito das pessoas, informando-as como
agir e respeitar uma pessoa autista.
Juliana Pereira


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