Esse enigma foi criado por Anderson Gaveta, ele levanta um tema muito bom que é: seria o seu eu do passado uma pessoa diferente do seu eu do futuro?
Essa pergunta não é uma teoria, mas sim uma espécie de enigma existencial, ele
não possui uma verdade propriamente dita e nem uma mentira, a verdade é
relativa. Esse enigma tem uma relação muito boa com o teorema do navio de
Teseu, mas vamos aprimorar esse teorema para os dias atuais.
Vamos fingir que você, leitor deste texto, compre um carro, um fusca, e por
achar ele feio você comece a modificá-lo, primeiro as rodas, depois o capô e
assim por diante, mas ainda sim deixa algumas evidências do carro antigo. Mas
depois de alguns anos, você resolve modificar esse carro por inteiro e aqui
começa o teorema, pois se o carro já não tem mais as mesmas partes, como ele
poderia ser considerado um fusca? “Como saber se eu sou eu, se todas as minhas
partes já não são mais as mesmas?”
Se seus órgãos, suas células, seus ossos e sua aparência já não é mais a mesma,
como sabe que você é você?
Com esse teorema podemos aprender algo: nossa noção de identidade é algo frágil
e muito complexa. Em sua opinião, um objeto que teve todas as suas partes
trocadas seria um outro ser? Vamos dizer que você engordou e tem barba, você é
outra pessoa? E se pegássemos a parte original do fusca e o reconstruísse, qual
seria o seu verdadeiro carro? Você é a soma de todas as suas modificações ou é
um conjunto do presente? Muitas perguntas, poucas respostas, mas vou tentar
respondê-las usando psicologia, a filosofia e a neurociência.
Bom, a resposta para algumas dessas perguntas poderia ser respondida facilmente
no caso dos seres humanos, o eu do passado é o mesmo do futuro, pois eu tenho
consciência e sei quem eu sou, tenho minhas memórias e experiências, mas isso
complica quando tentamos saber o que é a consciência.
Em 1960 foi realizado um estudo em que usaram pessoas com a síndrome do cérebro
dividido, no qual as duas partes cerebrais não se comunicam, surgindo uma
segunda inteligência. Podemos usar o caso em que os cientistas mostraram uma
imagem apenas para o olho esquerdo da pessoa, e quando perguntaram o que ele
havia visto ele disse nada, mas ao darem um lápis a ele, ele simplesmente
conseguiu desenhar a imagem, e em outro experimento mostraram que por seu
cérebro não se comunicar com outro, as partes criam independência.
Vamos dizer que em um futuro distante o mundo evolui ao ponto de eles poderem
tirar metade do seu cérebro e colocar em um outro corpo, qual dos dois seria o
verdadeiro? O do corpo original ou do corpo secundário? Os dois têm a mesma
mente, que provavelmente vai ter vida diferente e adquirir experiências novas,
ele seria o falso, mas como ele seria o falso se ele existe, se tem memória e
consciência? Então, para complementar eu diria que nenhum dos dois é falso, mas
nenhum é verdadeiro, como eu disse no começo a verdade é relativa, e depende do
ponto de vista da pessoa que irá ver. Por exemplo, se a gente modificasse um
cachorro, ele seria um cachorro ou o animal que a gente modificou?
Provavelmente diríamos que é o animal que a gente fez ele virar, mas na
realidade ele também tem consciência, então ele seria um cachorro modificado?
Podemos dizer que sim.
E no carro que não tem consciência nem vida própria? Diremos que não, pois ele
não tem memória nem consciência para saber o que ele é.
GragoSol
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